[Al Doha] A melhor alternativa: para a delegação do Cazaquistão, o urânio pouco enriquecido é a fonte mais viável de energia

Por: Ana Beatriz Costa

Nesta quinta-feira (15), na terceira sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Cazaquistão se destacou, em razão de ser o país que acolhe em seu território o banco de urânio pouco enriquecido (LEU, na sigla em inglês) da Agência Internacional de Energia Atômica. Visando sua importância dentro do tema debatido no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), o jornal Al Doha entrevistou o delegado do Cazaquistão, André Cançado:

Al Doha: Porque o urânio pouco enriquecido é melhor?
Delegação do Cazaquistão: O urânio de alto enriquecimento tem diversos resíduos e traz consequências drásticas ao meio ambiente. Então, além de ter uma devastação muito grande quando seus resíduos são descartados, o índice de plutônio e de produtos agregados a ele geram uma poluição muito grande, e isso já é algo avaliado pelas principais nações produtoras desse tipo de energia, sobretudo a Rússia, a China, e os países europeus, como a Suécia e a França. Já o LEU, que venho insistindo no comitê, tem o enriquecimento menor. O urânio sofre menos efeitos radioativos, mas a energia gerada por ele é tão alta quanto a gerada pelo altamente enriquecido. Então, a radioatividade gerada é muito menor, e até mesmo o manejo e o descarte do produto é mais fácil.

AD: Quais seriam seus benefícios em um âmbito internacional?
CAZ: Temos, como venho falando constantemente no comitê, o LEU, desenvolvido no Cazaquistão em 2017. As nações detentoras desse tipo de tecnologia hoje não a compartilham, e se compartilham, é uma tecnologia muito complexa, de difícil compartilhamento. E a utilização do urânio pouco enriquecido é mais maleável, então podemos ajudar as nações que não tem condições de alcançar essa matriz energética de forma mais prática e segura. Então, em um âmbito internacional, visamos a segurança, já que é um produto menos enriquecido e, portanto, menos radioativo, visamos também a eficiência do produto, a praticidade, e o preço reduzido.

AD: E quais seriam seus benefícios especificamente na tangente econômica?
CAZ: Nosso banco foi financiado pelos EUA, pela União Europeia, e também existem parcerias com a Rússia, com o Kuwait, China, e até mesmo a Índia. O que ocorre economicamente falando, é um princípio de cooperação tecnológica e científica. Então, é um produto de baixo valor agregado e de fácil aplicação, acabando com a necessidade da construção de grandes usinas, e tendo a eficiência mantida. O urânio de baixo enriquecimento não é utilizado mesmo com tantas vantagens pois existe um desconhecimento por essa fonte de energia, e também a pouca disposição das nações que já tem combustíveis nucleares de mudarem as suas usinas já criadas.

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